Comprimido ou coleira? Como prevenir carrapatos e pulgas

Esta é, sem dúvida, uma das grandes preocupações de tutores(as) de cães pelo que tenho observado em grupos de mensagens nas redes sociais. E muitas vezes tenho percebido que o assunto é permeado de confusões sobre os métodos disponíveis de prevenção de ectoparasitas (animais que parasitam o exterior, como pulgas e carrapatos) em cães e gatos.

Assunto cercado por tabus, muitos(as) tutores(as) não conseguem prevenir adequadamente infestações em seus pets e, consequentemente, em suas residências, sejam por informações desencontradas obtidas em lojas pet ou pela falta de conhecimento sobre a biologia desses animaizinhos e como se dá a transmissão de suas “doenças” (isso mesmo, no plural, já que são mais de uma!), o que tem dificultado a correta tomada de decisão por parte dos pais e mães de “filhos de quatro patas”.

O tema é longo e envolve vários outros conhecimentos da biologia, como espécies e fases de vida dos carrapatos, formas de transmissão das doenças, principais sintomas apresentados e formas específicas de tratamento de acordo com cada uma das doenças as quais nossos pets são suscetíveis.

Apenas para clarear o tema os carrapatos per si não causam doenças e sim as transmitem como vetores através de agentes patogênicos (vírus, bactérias, protozoários e vermes) que podem estar presentes em sua saliva ao se alimentarem do sangue e linfa de animais já infectados e, em seguida, de animais saudáveis, passando as doenças para frente.

Sendo assim, traremos algumas informações básicas sobre os dois principais métodos de prevenção disponíveis no mercado: os comprimidos de administração oral e as coleiras, além de medidas auxiliares para controle ambiental.

A começar pela diferença na forma de controle, os comprimidos agem de dentro para fora ao fazer seu princípio ativo circular no sangue do cão que ao ser picado pelo carrapato/pulga terá o produto químico ingerido, o que levará a sua morte. Sendo assim, não são indicados como método de prevenção, mas sim como método de controle após a infestação (presença de ácaros).

No caso das coleiras o efeito é inverso, agindo de fora para dentro. As substâncias presentes nelas vão aos poucos sendo absorvidas e se espalham apenas pela pele e pelo do cão sem entrar na corrente sanguínea, o que repele os parasitas do contato evitando que eles piquem o animal; efetivamente realizando a prevenção. Uma dica importante para quem optar pelas coleiras é não dar banhos frequentes nos peludos, pois removem as substâncias que demoram cerca de uma semana para se espalharem pelos pelos do corpo.

Os comprimidos têm a vantagem da praticidade de administração, porém, as marcas hoje disponíveis no mercado apresentam diferenças no tempo de ação, ou seja, quando devem ser readministrados, e em agentes patogênicos que combatem, o que pode ser comparado na tabela abaixo:

Nome comercialPrincípio ativoTempo de proteção (mês)Agentes que combatem
Bravecto (MSD)Fluralaner3Carrapatos: Ixodes ricinus, I. hexagonus, I. scapularis e I. holocyclus; Dermacentor reticulatus e D. variabilis; e Rhipicephalus sanguineus.
Pulgas: Ctenocephalides felis e C. canis.
Credeli (Elanco)Lotilaner1Carrapatos: Ixodes ricinus, I. hexagonus e I. scapularis; Dermacentor reticulatus e D. variabilis; Rhipicephalus sanguineus; Amblyomma americanum e A. cajennense.
Pulgas: as mesmas do Bravecto.
NexGard (Merial)Afoxolaner1Carrapatos: Ixodes ricinus, I. scapularis e I. holocyclus; Dermacentor reticulatus e D. variabilis; Rhipicephalus sanguineus; Amblyomma americanum; e Haemaphysalis longicornis.
Pulgas: as mesmas do Bravecto.
Simparic (Zoetis)Sarolaner1Carrapatos: os mesmos do NexGard acrescidos de Ixodes hexagonus, Haemaphysalis elliptica e Amblyomma maculatum.
Pulgas: as mesmas do Bravecto.

Em resumo, todas essas marcas combatem os carrapatos e pulgas de interesse médico-veterinário que existem no Brasil, com o Simparic tendo a vantagem de também combater a sarna causada por Sarcoptes scabiei e Demodex canis e o ácaro da orelha Otodectes cynotis.

Mas como nem tudo são flores, os comprimidos trazem também a desvantagem de efeitos colaterais gastrointestinais como diarreia, vômito, inapetência e salivação, e sintomas neurológicos como letargia e convulsão. Alguns chegam inclusive a questionar os benefícios frente aos riscos que estão envolvidos, por isso, informe-se bem antes de adotar esta opção.

Já as coleiras estão disponíveis há vários anos sob as mais diversas marcas comerciais e princípios ativos – alguns artificiais e outros naturais – e costumam ter menos efeitos colaterais, em geral associados à irritação no local de contato com a pele.

Mas é sempre bom lembrar para não haver confusão que existem também coleiras destinadas primordialmente a repelir mosquitos, como o palha, transmissor da leishmaniose ou calazar, tendo a ação sobre carrapatos e pulgas apenas como secundária. Entre elas está a Scalibor (MSD). Traduzindo: não a utilize imaginando estar livre de carrapatos, mas sim de mosquitos igualmente perigosos, sendo, portanto, os tratamentos complementares e não excludentes.

Também é bom lembrar que apesar de estes dois serem os métodos mais comuns – principalmente os comprimidos que têm ganhado espaço nos últimos anos – eles podem não se mostrar tão eficientes quando utilizados como único meio de prevenção. Ações acessórias de controle ambiental podem ir desde o cultivo de plantas repelentes de ácaros e insetos – a exemplo de mastruz ou erva de santa maria (Dysphania ambrosioides), citronela (Cymbopogon nardus e C. winteranius) e neem (Azadirachta indica) -, à aplicação periódica de produtos a base dessas mesmas substâncias na pelagem do cão através de sprays, óleos corporais ou banhos e a pulverização de substâncias repelentes/biocidas no ambiente em que ele vive (casa, quintal, jardins, canil, etc.).

Somado a isso, a adição diária de lascas de alho cru* à alimentação dos bichanos ajuda a fortalecer sua imunidade e afastar parasitas.

Estas medidas combinadas com o uso de comprimidos ou coleiras se mostram necessárias pelo fato de que a grande maioria (cerca de 90-95%) dos carrapatos se concentrarem no ambiente de convívio e não propriamente grudados no corpo de nossos companheiros.

* A quantidade indicada para cães acima de 4 meses de idade é: 1/10 a 1/8 de um dente pequeno para cães de porte miniatura; 1/6 de um dente para cães de porte pequeno; 1/4 de um dente para cães de porte médio, 1/2 dente de alho para cães de porte grande e 1 dente de alho para os cães de porte gigante. Para resultados ainda melhores, aguarde 10-15 minutos após triturar o alho para adicioná-lo à refeição (para dar tempo de formar bastante alicina) e associe a alguma gordura ou alimento gorduroso (azeite, óleo de coco, vísceras, ovos, etc.) para otimizar a assimilação dos compostos lipossolúveis do alho (Fonte: www.cachorroverde.com.br/repelentes/).

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